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Autoexame deve começar aos 25 anos, adverte mastologista da Santa Casa

Dados do Instituto Nacional de Câncer (INCA) dão conta que no último ano surgiram entre 56 mil e 58 mil novos casos de câncer de mama no país, um número ainda assustador. 
Para reverter esta situação, é preciso que as mulheres adotem hábitos saudáveis e para combater a doença é importante o diagnóstico precoce. Por isso, aos 25 anos, a mulher já deve começar a conhecer o seu corpo e fazer o autoexame, apalpando o seio e, caso note qualquer alteração, procurar um médico imediatamente.
As informações são da mastologista Maria Emília Costa, da Santa Casa de Paranavaí, que reforça que a partir dos 40 anos é essencial que a mulher faça uma mamografia anualmente. “E o autoexame e a mamografia não devem parar. Enquanto a mulher tiver saúde, tem que continuar fazendo”, diz ela.
Para fazer o autoexame basta a mulher apalpar a mama e verificar se há uma área mais endurecida, se há a presença de nódulos ou alteração da pele. 
O autoexame deve ser feito uma semana após a menstruação, porque antes a mama estará naturalmente alterada. Detectando qualquer dessas alterações, a paciente deve procurar um ginecologista, que fará o encaminhamento. Não é preciso se apavorar, já que nem sempre é câncer e, além disso, diagnosticado precocemente, a doença tem cura.
A médica lamenta que ainda haja mulheres com 65 anos que nunca fizeram uma mamografia. “O Outubro Rosa – diz ela – vem com esta intenção de chamar as mulheres para a importância de fazer o autoexame, a mamografia, enfim cuidar de sua saúde. O câncer de mama é o tipo de câncer que mais mata mulheres no Brasil e no mundo”.
O câncer de mama não é uma exclusividade das mulheres. Pelo menos 1% dos casos atinge homens. Como a área da mama masculina é tão reduzida em relação à mulher a alteração é vista facilmente.
HÁBITOS SAUDÁVEIS – Embora haja um grupo de risco – mulheres com histórico familiar de primeiro grau (mãe, filha e irmã) – Maria Emília aponta práticas que podem contribuir em até 20% para evitar a doença: a manutenção do peso corporal e a atividade física. 
Na outra ponta, contribui para a doença, a ingestão de bebida alcoólica, o tabagismo e alimentos gordurosos.
A mastologista diz, no entanto, que independente de a mulher estar ou não no grupo de risco ou de seus hábitos ela não deve ter medo de fazer o autoexame e nem a mamografia. 
“Ainda temos mulheres que evitam estas práticas porque têm medo daquele ditado popular ‘quem procura, acha’. Se achar, melhor. Podemos fazer o tratamento e livrar a mulher da doença”, sublinha a médica.
Maria Emília lembra que o câncer de mama não provoca dor e isto acaba acomodando as mulheres. 
“Infelizmente em cerca de 50% das pacientes detectamos o tumor em estágio já avançado”, diz ela, lembrando que no caso do diagnóstico precoce o tratamento pode ser mais simples: “primeiro que o nódulo pode ser benigno e segundo, o nódulo demora cerca de dez anos para atingir um centímetro, facilitando o tratamento. Mas depois de chegar a um centímetro ele fica mais agressivo crescendo geometricamente”.
ONCOPLASTIA – De acordo com a mastologista, se de um lado algumas mulheres tem médio de fazer o exame e constatar a doença, de outro, uma vez diagnosticada ela não se furta em fazer o tratamento, ainda que haja necessidade de uma intervenção mais profunda, como a mastectomia (remoção total da mama). 
Neste sentido, Maria Emília lembra que a medicina está avançando e já surgiu a oncoplastia – um tipo de cirurgia que associa técnicas da cirurgia plástica para o tratamento de câncer de mama. Ela diz ainda que mesmo em cirurgias mais simples, a técnica utilizada é de preservação ou reconstrução da mama. “Não é preciso ficar mutilada”, explica ela.
A médica adverte que mulheres que aplicam silicones nos seios também devem fazer a mamografia. “Elas têm que continuar. Se a mamografia não der para perceber a situação da mama, temos a ultrassonografia e até a ressonância. O que não pode é parar de fazer”
Enquanto a medicina avança, entidades como a Sociedade Brasileira de Mastologia (SBM) tem de enfrentar outras situações. A que mais incomoda a categoria é a recomendação governamental de as mulheres começarem a fazer a mamografia só a partir dos 50 anos e a cada dois anos. “Não é isso que diz a literatura médica”, aponta a especialista. 
Mas a limitação imposta pelo poder público tem um preço. Médica no sistema público e particular, Maria Emília diz que em seu consultório os casos de câncer de mama são diagnosticados mais cedo que no sistema público. 
“O tratamento é o mesmo. Só que demora a mamografia ou então não é autorizada”, diz ela, lembrando que clínicas que fizeram mamografia em mulheres abaixo dos 50 anos não receberam do SUS pelo serviço.
Ela lembra, no entanto, que no Brasil há agora uma lei federal que estabelece um prazo máximo de 60 dias para que um paciente com câncer comece o seu tratamento em 60 dias pelo Sistema Único de Saúde. “Os pacientes têm que fazer valer esta lei”, enfatiza a médica.
Para ilustrar a importância do diagnóstico e o tratamento precoce, Maria Emília lembra que em 2011 atendeu uma paciente que apresentou micro calcificações. Uma situação simples de resolver e que talvez nem precisasse de quimioterapia. Ela pediu os exames de rotina pré-operatória, mas a paciente não apareceu mais. Acreditou que ela tivesse procurado outro especialista para fazer a cirurgia. 
Ano passado a paciente reapareceu e para sua surpresa ela não fez a cirurgia. Confessou que voltou ao médico porque havia “um caroço debaixo do braço”. O “caroço” era um tumor de quatro centímetros, que já havia comprometido a axila. A paciente terá que fazer quimioterapia para reduzir o tamanho do tumor e só depois fazer a cirurgia. “O tumor demora até dez anos para atingir um centímetro. Mas depois disso ele não é tão bonzinho não. As células doentes se multiplicam rapidamente e aumenta a população de células malignas”, reforça a mastologista Maria Emília.

Fonte: Diário do Noroeste

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