A Campanha da Fraternidade 2016 traz o tema “Casa comum – nossa responsabilidade”

Entrevista coletiva concedida pelo bispo dom Geremias Steinmetz, marcou ontem o lançamento da Campanha da Fraternidade 2016 na Diocese de Paranavaí.
Neste ano, o período de reflexão tem um vínculo direto com a necessidade das pessoas: o saneamento básico nas zonas urbana e rural. Com isso, entra no centro do debate a infraestrutura social, enfocando abastecimento de água potável, esgotamento sanitário e manejo do lixo.
A Campanha da Fraternidade traz o tema “Casa comum – nossa responsabilidade”, e como lema o versículo 5, capítulo 24, do Livro do Profeta Amós: “Quero ver o direito brotar como fonte e correr a justiça qual riacho que não seca”.
O acesso à água potável é uma das preocupações mais elementares, pondera dom Geremias. De acordo com os estudos, a cada 2,5 minutos uma criança morre no mundo por falta de água potável. Pouco mais de 82% da população brasileira têm acesso à água tratada. Em Paranavaí o acesso é abrangente, totalizando cerca de 35 mil ligações.
ESGOTO SANITÁRIO – Mais de 100 milhões de pessoas no Brasil não possuem coleta de esgotos, sendo que, do existente, apenas 39% são tratados. Em Paranavaí a rede de esgoto chega a 85% da população, um índice superior ao do Paraná – na casa de 60% – conforme indica a Sanepar, através do gerente regional Arnaldo Rech.
Os conjuntos habitacionais recém-inaugurados ou em construção, ainda na cidade de Paranavaí, não possuem esgotamento sanitário, problema que deverá ser resolvido no plano de expansão da rede, pontua o gerente.
A lei municipal 3.300/2008 de Paranavaí prevê a abertura de loteamentos com toda a infraestrutura, incluindo o esgoto sanitário. Diz o artigo 16: “Nos parcelamentos sob forma de loteamento e condomínios horizontais deverá ser implantada pelo loteador a infraestrutura mínima prevista neste artigo, que deverá conectar-se com as redes existentes e estar de acordo com os planos setoriais pertinentes. Parágrafo único. Considera-se infraestrutura mínima:
I – escoamento das águas pluviais; II – iluminação pública; III – redes de esgoto sanitário e abastecimento de água potável; IV – energia elétrica pública e domiciliar; V – vias de circulação pavimentadas conforme classificação da Lei de Sistema Viário; VI – tratamento paisagístico dos passeios, conforme Código de Arborização Municipal; VII – adequação topográfica de modo a garantir acessibilidade entre vias e quadras e greide apropriado; VIII – demarcação das quadras e lotes; IX – tratamento das faixas ao longo das margens dos córregos, linhas de drenagem sazonais e corpos d’água em geral, que atendam à condição de Área de Preservação Permanente, de acordo com as diretrizes do órgão municipal responsável pelo meio ambiente; X – tratamento das áreas destinadas às áreas verdes com vegetação nativa quando não houver cobertura vegetal remanescente, de acordo com as diretrizes do órgão municipal responsável pelo meio ambiente”.
Há entendimentos de que a regra não se aplicaria aos conjuntos habitacionais, no caso específico – financiados pelo Governo Federal (Programa Minha Casa, Minha Vida).
ÁGUA POTÁVEL – O desperdício de água potável é outra preocupação da Campanha da Fraternidade. Coordenador da Ação Evangelizadora da Diocese, o padre Romildo Neves Pereira lembra que apenas 0,007% da água do planeta está disponível para o consumo humano. Cerca de 12% da água doce do planeta estão no Brasil.
Porém, a maioria concentrada no Norte do País (cerca de 70%), área menos habitada, mas, alvo de grande desmatamento. Enquanto isso, grandes centros urbanos passam por crise de abastecimento, incluindo São Paulo, a maior cidade do país, que sofreu com racionamento de água durante todo o ano passado.
Na prática, é preciso combater o desperdício. Em Paranavaí, 95 litros de água tratada são desperdiçados todos os dias para cada uma das 35 mil ligações. Isso representa cerca de 18% da água pronta para o consumo. Trata-se da água que se perde por furto ou problemas na rede, sem contar o desperdício dentro das residências, de água que passou pelo hidrômetro (registro) das casas.
A perda paranavaiense está abaixo da média estadual, hoje na casa dos 30% de água que se perde no caminho antes das torneiras. Ainda abaixo da média nacional – que chega a 40%. Dentre os melhores índices do mundo está o Japão, que registra cerca de 3% de perda da água tratada.

INVESTIMENTO NO SER HUMANO
Investir em saneamento básico é investir no ser humano. O bispo Geremias Steinmetz lembra que para cada R$ 1,00 aplicado em saneamento, economiza-se R$ 4,00 com saúde curativa. Portanto, além de proteger as pessoas, trata de um bom negócio. Um dos problemas é que nem sempre o investimento nesta estrutura gera visibilidade.
Dom Geremias concorda que neste ano o tema da campanha está ainda mais alinhado com a voz das ruas, já que envolve diretamente a comunidade. Ele destaca que as campanhas surtem efeito de médio prazo e pede reflexão. Como avalia, é preciso cuidar do planeta, “a casa de todos nós”.
Significa debater o uso racional da água, a destinação correta de resíduos (lixo), além do tratamento da instalação e tratamento do esgoto. Para tal, propõe engajamento e participação, inclusive da dos governantes e da classe política. São temas que podem integrar o debate nas eleições, resume, lembrando que em 2016 serão eleitos prefeitos e vereadores.

CAMPANHA ECUMÊNICA
A Campanha da Fraternidade de 2016 é de natureza ecumênica (busca da unidade), uma parceria entre as igrejas que compõem o Conselho de Igrejas Cristãs – CONIC – (Igreja Católica Apostólica Romana, Igreja Episcopal Anglicana do Brasil, Igreja Evangélica de Confissão Luterana no Brasil, Igreja Sirian Ortodoxa de Antioquia, Igreja Presbiteriana Unida).
A abrangência torna possível cada vez mais o diálogo e o testemunho ecumênico, sem proselitismo (empenho ativista, etc.) religioso. Essa é a quarta campanha ecumênica (anteriores – 2000, 2005 e 2010).
As informações gerais destacam que o tema é de grande pertinência para dialogar com a sociedade a respeito do cuidado com a natureza. O cuidado com a vida em sua totalidade, pois, todas as formas de vida abrigam-se na casa comum – planeta terra.
O Governo Federal pretende universalizar o saneamento básico no Brasil somente em 20 anos (2014/2033). Para isso, estima-se a necessidade de R$ 508,45 bilhões, sendo que R$ 302 bilhões somente para obras de água e esgotos. Para isso seria necessário investir de R$ 15 a R$ 20 bilhões ao ano. Porém, o montante atual é pouco superior a R$ 10 bilhões.

Fonte: Diario do Noroeste

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