Veja como conseguir crédito novo se você trabalha com carteira assinada

Pode acreditar: ninguém gosta de falar sobre empréstimo, mas volta e meia surge aquela situação em que precisamos pensar nisso com calma. Pois agora temos novidades importantes para quem trabalha com carteira assinada, é doméstica, rural, MEI ou até mesmo motorista e entregadora de aplicativo.

A tal Lei 15.179/2025 chegou mudando bastante o jeito como o famoso “consignado” funciona para a gente. O objetivo por trás dessas mudanças é aumentar o acesso ao crédito, mas sem deixar o trabalhador desprotegido ou cair naquela armadilha de ficar devendo sem fim. Só quem já passou sufoco para fechar as contas no fim do mês sabe a diferença que regras mais claras e seguras podem fazer.

O papo agora é para todo mundo: não importa se você está em regime CLT, é autônoma ou faz aquele corre do app. Vem entender direitinho o que muda, porque pode ser que em algum momento essa linha de crédito faça diferença na sua vida — ou sirva até para ajudar alguém próximo. Confesso que, aqui em casa, a gente já ficou de olho nessas facilidades mais de uma vez.

Vou te explicar tudo com detalhes simples, como se a gente estivesse tomando um café e conversando sobre a vida.

Como é o crédito do trabalhador na prática

O famoso crédito do trabalhador é aquele empréstimo consignado voltado mesmo para quem atua no setor privado. Pode ser carteira assinada, doméstica, rural, microempreendedora ou até quem faz renda em aplicativo. Nesse tipo de empréstimo, as parcelas são descontadas direto do salário, antes de cair na conta — ou seja, não tem o risco de esquecimento ou atraso.

Antes dessa lei nova, só conseguia esse tipo de crédito quem trabalhava em empresas com convênio específico com o banco. Era uma dor de cabeça para muita gente, porque muita categoria ficava de fora. Agora o processo ficou nacional, com regras para todo mundo, mais transparência e sem discriminar nenhuma profissão.

Entendendo o desconto na folha

Funciona assim: ao fazer o empréstimo consignado, você autoriza que uma parte do seu salário já vá direto para pagar a parcela. O patrão desconta esse valor e repassa para o banco. A lei nova deixou claro que, no máximo, 35% da sua renda líquida pode ser usada para pagar todos os consignados juntos.

Esse limite serve justamente para evitar que você comprometa mais do que pode. Ajuda a gente a planejar as contas do mês e impede aquele susto de ver praticamente todo salário sumindo com débitos automáticos. Já passei por isso e não recomendo.

Mudanças para quem tem mais de um emprego

Tem gente que batalha em dois ou mais empregos, né? A novidade é que agora você pode permitir que o desconto seja feito nos dois (ou mais) salários, claro, sempre respeitando o teto de 35% do total. Antes era uma confusão danada, mas agora ficou mais organizado — bom especialmente para quem se divide entre várias jornadas.

Além disso, ampliaram o público. Antes era só para carteira assinada, mas agora vale também para trabalhadoras rurais, domésticas, MEIs e até quem faz renda com apps de entrega ou transporte, que muitas vezes eram deixados de lado nesse tipo de facilidade. Dá aquele gostinho de inclusão real.

Uso do FGTS como garantia

Um ponto interessante: a lei agora permite usar parte do FGTS para garantir o pagamento do empréstimo, caso dê alguma zebra. Dá para usar até 10% do valor acumulado no FGTS, ou até 100% da multa rescisória se for demissão sem justa causa. Na prática, isso pode ajudar a conseguir juros menores, afinal, o banco sente mais segurança ao emprestar.

Mas é bom ter cuidado, viu? Se usar o FGTS como garantia, essa reserva pode reduzir caso você precise dela depois de uma demissão, por exemplo. É aquela coisa de pesar bem antes de decidir.

E o papel das empresas nisso?

Agora, as empresas precisam ter o controle certinho desses descontos. Passou a ser obrigatório registrar direitinho e repassar o valor ao banco no prazo. Qualquer erro, atraso ou retenção sem motivo pode gerar multa bem salgada, de 30% do valor que deixou de ser repassado, além de outros problemas legais.

O eSocial entra nesse jogo também, cruzando todos os dados automaticamente e apontando inconsistências na hora. Para a gente que é trabalhadora, isso é ótimo, pois dificulta jeitinho ou erro que possa sobrar para o nosso lado.

Vantagens e riscos no dia a dia

O lado bom: agora você pode escolher o banco de sua preferência, comparar taxas, condições e fechar tudo sem tanta burocracia. Tudo isso pode ser feito até pela Carteira de Trabalho Digital, onde dá para simular valores, visualizar contratos, parcelar de acordo com sua realidade e não cair em cilada.

Precisa ficar atenta aos riscos, claro. Mesmo com o limite de 35%, quem pega empréstimos em empregos diferentes pode acabar acumulando parcelas e se enrolando sem perceber. E lembre de que usar o FGTS para garantir empréstimo pode ter reflexos no futuro, na hora de uma demissão.

A dica que dou para as amigas é sempre botar tudo na ponta do lápis. Não tem segredo: saiba direitinho quanto pode comprometer da renda, fique de olho nos contratos e não se deixe levar pela pressa de resolver algum aperto.

O que muda para empresas e bancos?

No lado das empresas, vai dar um pouco mais de trabalho, já que agora elas precisam adaptar os sistemas internos para garantir que tudo seja automático, correto e informado ao governo. O eSocial vai fiscalizar bem mais de perto.

Para os bancos e financeiras, a competição deve esquentar. Com mais transparência, ficaram obrigados a oferecer taxas melhores. No fim das contas, a gente pode sair ganhando, com juros mais baixos e menos dor de cabeça para fechar o empréstimo.

Dicas básicas para não se enrolar

  • Antes de qualquer coisa, calcule quanto da sua renda líquida dá para comprometer, respeitando sempre aquele limite dos 35%
  • Use a carteira de trabalho digital para simular propostas, fique de olho nos prazos e veja bem as taxas cobradas por cada banco
  • Confira sempre o contracheque para garantir que o desconto está certinho e corresponde ao que foi combinado
  • Se usar FGTS ou multa rescisória, se planeje para não ficar desprotegida numa eventual demissão

No fim das contas, esse novo modelo traz mais abertura para quem antes era deixada de lado e mais proteção para quem já usava. E mesmo quem não está pensando em empréstimo agora ganha ao saber direitinho como tudo funciona. Afinal, nunca se sabe quando a informação certa pode fazer diferença na nossa vida ou na de alguém próximo.