Qual a expectativa para a retomada do varejo após o fim da quarentena?

Confira quais são as expectativas e principais mudanças para um dos maiores setores do comércio depois da crise do novo coronavírus;
No segundo semestre de 2019, o setor varejista estava em um momento positivo e de amplo crescimento. Na principal metrópole do país, São Paulo, o varejo apontou uma expansão de 5,7% nas vendas, o que indicava que 2020 seria o ano da retomada econômica para esse segmento.

Porém, o cenário se mostrou o oposto. Diante da pandemia causada pelo novo coronavírus, a Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC) divulgou, em maio deste ano, que as perdas diretas impostas ao comércio já chegam a R$124,7 bilhões. Esse número representa uma queda de 56% no faturamento do varejo, em relação ao período anterior à crise.

Isso acontece pois, shoppings, lojas de rua e vários segmentos do comércio foram atingidos de forma brusca pela pandemia. De portas fechadas, lojistas e empresários precisam se reinventar para manter os empreendimentos de pé e procuram por ações baratas na Bolsa de Valores para terem uma renda extra neste cenário de crise.

Especialistas no assunto já adiantam: há uma necessidade ainda maior de integração entre o setor físico e digital. Agente imprescindível e aliada contínua, a tecnologia contribui na produtividade dos colaboradores, auxilia na otimização de processos, oferece soluções para treinamentos à distância.

Além disso, serve, principalmente, como um canal direto – e sem contato físico – com o consumidor, algo fundamental durante a quarentena. E-commerce, m-commerce, vendas por aplicativos de redes sociais, serviços de delivery e drive-thru, são estratégias que já se mostram uma alternativa para conter as perdas e assim tentar manter as contas em dia.
Higiene e segurança devem mudar?
Mais do que implementar novas tecnologias, o varejista também precisará repensar os seus processos de venda. Assim, o uso de máscaras, medição de temperatura, distanciamento social com marcações, higienização de mãos, produtos e superfícies, ainda farão parte do cenário pós covid-19.

Alguns serviços já adotaram o distanciamento entre atendentes e clientes com barreiras que impedem a aproximação e o toque. Lojas de sapatos e roupas terão que higienizar os produtos após cada cliente experimentar e aquelas que oferecem degustação dos produtos precisarão interromper a prática.

A etapa de pagamento também não deve ficar de fora. O ideal, para clientes e colaboradores não tocarem na máquina de cartão ou trocarem dinheiro, é que as lojas incentivem o uso o pagamento sem contato, como o QR Code e outras formas de pagamento via celular.

A expectativa é que o varejo
● Proteja seus colaboradores e mantenha as operações;
● Continue atendendo os consumidores;
● Redefina os processos da loja;
● Estabilize a cadeia logística.

Mesmo após o retorno para a vida normal, recomenda-se que as marcas continuem usando os canais para informar, compartilhar conteúdos e criar conexões com os consumidores.
O cliente no centro
O consumidor, que já era exigente, ficará ainda mais. Para se ter uma ideia, hotéis deverão adotar um selo que garante a segurança e limpeza do local, tornando o relacionamento entre vendedor e cliente muito mais responsável e próximo. O varejo poderia fazer o mesmo.

Para contribuir com a experiência do consumidor e preservar sua lealdade, as marcas precisam estabelecer uma ligação emocional com o comprador, principalmente durante e após o período de isolamento social.

Dessa forma, os empresários do setor varejista devem buscar por iniciativas focadas em melhorar os níveis de reputação e conquistar credibilidade.

Personalizar as vendas, superar as expectativas do cliente e entender como ele compra, são ações que atuam diretamente em experiências que tendem a ser positivas e mostram para o consumidor que o seu produto ou serviço vale a pena de ser consumido mesmo em um momento de crise.
Tendências e estatísticas
Assim como cada país, que tem tido um retorno diferente às atividades, os consumidores estão reagindo de duas formas distintas que podem ser vitais e decidir o futuro do varejo.

Antes, adultos e pessoas mais velhas, que evitavam realizar compras pela internet, hoje se vêem obrigados a contratar serviços essenciais – alimentos e remédios, por exemplo – digitalmente. E a tendência é que esse tipo de consumo permaneça pós-isolamento.

Nos primeiros dias de reabertura do comércio na China, marcas famosas e de luxo notaram um alto faturamento e um alto fluxo de clientes nas lojas. O chamado “revenge buying”, em português livre “compra por vingança” para compensar o tempo perdido na quarentena, foi um fenômeno muito frequente no país.

O cenário foi diferente na Alemanha, que ao decidir reabrir gradualmente as atividades, notou que os clientes têm resistido voltar para as lojas, ainda preocupados com a segurança sanitária.

Falando em Brasil, especialistas da área acreditam que seja pouco provável que as marcas possam contar com um revenge buying na reabertura. Estima-se que quanto mais longo for o período de isolamento, menor será o poder aquisitivo.

O consumidor brasileiro priorizará os itens essenciais, para só assim, avaliar outras necessidades de compras, como produtos secundários.

Para a XP Investimentos, a expectativa é que bens não-duráveis, como alimentos e remédios, tenham vantagem perante os bens duráveis, como móveis e eletrônicos. Porém, os setores de vestuário e cosméticos podem apresentar uma recuperação mais acelerada, por terem menor ticket e menos dependência de crédito.

Popularmente falando e voltando à temática da digitalização dos serviços, os lojistas precisarão oferecer uma espécie de “delivery de tudo”, mesmo de portas abertas. O consumidor que já está habituado com o virtual, precisará de um estímulo muito maior para comprar presencialmente.

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