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Preço do boi deve continuar em alta, mas é preciso continuar investindo em tecnologia

Em princípio, o preço da arroba do boi, que reagiu nas últimas semanas, deve continuar estável até o final do ano, porque está faltando o produto no mercado. Mas a situação econômica e política podem refletir no mercado e desestabilizar novamente o preço do boi gordo.

A opinião é do veterinário e pecuarista Carlos Costa Júnior, representante do Sindicato Rural de Paranavaí na Comissão de Bovinocultura de Corte da Federação da Agricultura do Paraná (FAEP). Para enfrentar este mercado instável, Costa aponta a necessidade do pecuarista se profissionalizar e investir em tecnologia para reduzir os custos de produção. “Só vai se manter na atividade quem se profissionalizar”, adverte ele.

Costa disse que os baixos preços praticados no começo do ano, quando a arroba do boi foi comercializada a R$ 125, não cobrindo nem os custos, amedrontou os pecuaristas que não investiram no confinamento, que garante o produto na entressafra. “Além do baixo preço da arroba na época, de outro lado, o preço milho, que é um dos principais componentes no confinamento, disparou, chegando a quase R$ 50 a saca de 60 quilos”, explica o produtor.

O resultado desta combinação é que nos meses de janeiro e fevereiro, quando os pecuaristas deveriam começar o confinamento, não houve estímulo. “Ninguém se preparou e o reflexo está aparecendo agora, com a falta do produto no mercado e a conseqüente elevação de preço”. O preço da arroba subiu de R$ 125 para R$ 145.

A reação do mercado fez com que os pecuaristas retomassem o confinamento e a expectativa é que nos meses de novembro e dezembro, o gado, que vai agora para os cochos, estará pronto para o abate. “Já estamos sentindo que houve um aumento de confinamento nas últimas semanas”, revela Costa Júnior. Até porque, o processo neste momento está exatamente inverso ao começo do ano: o preço da soja e milho baixou e o do boi subiu.

A queda dos preços da soja e do milho também se reflete na avicultura. “Se o preço do boi subir muito, o consumidor sai a procura de outra proteína mais barata, deixando de consumir a carne de boi e indo para o frango”, adverte o veterinário. “É um mercado complexo”, resume ele.

OUTRAS INFLUÊNCIAS – Não foi só o baixo preço no começo do ano que desestimulou a atividade da pecuária de corte. A volta do pagamento do Funrural (2,3%), que estava suspenso por liminar, e a Operação Carne Fraca, que reduziu as exportações, fizeram o produtor recuar, provocando a falta do produto e a conseqüente reação do mercado.

“Mas a crise econômica também teve um reflexo grande. É que houve redução de consumo. E este fato sempre é uma das principais razões para a queda de preço do boi”, diz o membro da Comissão de Bovinocultura de Corte da FAEP.

Para enfrentar os desafios deste mercado, Carlos Costa Júnior assinala que é preciso profissionalizar o setor. Aliás, na sua avaliação, esta profissionalização já começou. “Foi-se aquele tempo que o cara que tinha algum dinheiro entrava na pecuária e achava que ia ganhar dinheiro, sem qualquer tecnologia”, diz ele. Hoje o setor exige profissionalização até por conta dos altos valores envolvidos. “Um caminhão de boi custa R$ 60 mil. Não dá para ter uma gestão que não seja profissional”, sentencia ele.

Costa avalia que desde a crise de 2007/2008 o setor vem se profissionalizando. “Naquela época muita gente parou. E as terras foram arrendadas para o plantio de cana e de mandioca e um pouco foi destinado à citricultura. Mas não prejudicou a pecuária de corte, que na região manteve seu rebanho que oscila entre 950 mil e 1 milhão de cabeças. Estamos produzindo mais na mesma área”, diz.

O bom momento atual do mercado de boi gordo não deve acomodar o setor. “Temos que continuar investindo em tecnologia para reduzir os custos de produção. E para enfrentar a depreciação do produto”, acrescenta.

Costa lembra que os preços das commodities estão achatados. “Alguns anos atrás, para se comprar uma camionete, o pecuarista precisava de 30 bois. Hoje precisa de 60. Os preços dos suplementos, como o sal mineral, também disparam. Essa comparação também pode ser feita com os preços dos tratores”, revela

JBS – Apesar de informar que, pela lógica, com a falta do produto, os preços da arroba do boi gordo deve se manter até o final do ano, Costa adverte que fatores extras podem intervir no mercado. Um exemplo disso é a situação em que se encontra a JBS, a maior produtora de proteínas do mundo. “Se a JBS quebrar, por exemplo, vai ser um desastre para o setor”, diz ele, lamentando que hoje apenas dois ou três grupos detêm quase 70% do abate de bois no Brasil.

“O BNDES, que é sócio minoritário da Família Batista no grupo, está tentando profissionalizar a gestão. Se conseguir vai dar mais segurança ao mercado”, avalia Carlos Costa Júnior.

Fonte:  Assessoria de Imprensa

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