Chegada do aparelho faz parte das melhorias que estão acontecendo no Instituto de Criminalística e IML

Polícia Científica de Paranavaí recebe equipamento para extração de dados de celulares

A Polícia Científica de Paranavaí recebeu nesta quarta-feira (12) o equipamento para extração de dados de dispositivos móveis (aparelhos celulares). Trata-se de um aparelho israelense da marca Cellebrite modelo Touch2. A Cellebritte é uma das líderes mundiais em soluções de extração, decodificação e análise de dados para perícias digitais. No Paraná, além de Paranavaí, apenas as unidades da Polícia Científica de Curitiba e Londrina têm este dispositivo.

A vinda do equipamento foi anunciada recentemente e neste começo de semana o chefe da Polícia Científica local, Evandro Lustre, esteve em Curitiba buscando o aparelho. O Cellebrite é uma plataforma de perícia digital portátil, com os programas de todas as marcas e modelos de celulares disponíveis no mercado. Acompanha o aparelho dezenas de cabos de diversos formatos. O custo para utilização do software é de aproximadamente R$ 100 mil/ano.

“Os computadores que tínhamos já permitiam a análise dos dados, mas faltava a extração. Agora com este equipamento temos como quebrar senhas e coletar todos os dados”, diz Lustre, que é perito em computação forense e vai operar o aparelho. Ele será responsável por atender as demandas da Polícia Científica da região de Maringá, além dos 40 municípios da região de Paranavaí.

 

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Na avaliação do perito, a Polícia Científica passa a população a sensação de justiça, porque seu trabalho é a busca da verdade, de forma imparcial e com embasamento técnico e científico. “Não basta fazer e assinar o laudo de perícia. O perito sabe que o laudo pode ser questionado e aí ele terá que demonstrar tecnicamente como chegou à conclusão”, explica o profissional.

POLÍCIA CIENTÍFICA – A Polícia Científica do Paraná reúne dois institutos – o de Criminalística e o Médico Legal. Paranavaí só tinha uma seção de medicina legal. No segundo semestre de 2020, Evandro Lustre foi transferido à cidade para organizar a instalação do Instituto de Criminalística e assumir o que passaria a ser, de fato, uma unidade da Polícia Científica, que, segundo avalia ele, será uma das melhores estruturadas do Estado.

A instalação da Polícia Científica em Paranavaí é uma das mais antigas reivindicações da OAB de Paranavaí. Segundo a presidente da Subseção, Célia Zanatta, trata-se de uma unidade importante para que se faça justiça. “Ela vai produzir provas técnicas. Agora, com este novo equipamento, dá um salto espetacular de tecnologia”, diz ela.

Segundo Lustre uma das principais razões do avanço da Polícia Científica em Paranavaí é o apoio que a instituição vem recebendo da comunidade local. Desde que chegou a Paranavaí, entre outras melhorias, a unidade ganhou nova câmara fria mortuária com capacidade para seis corpos, a instalação do aparelho de raio-x para ajudar e agilizar a necropsia, reforço de segurança no setor de custódia de armas e, para breve, estão previstas a chegada de um tanque de balística, a climatização da sala de necropsia e a chegada de mais computadores, novos dispositivos e mais um veículo.

Parte destas conquistas se deve ao apoio de instituições como a OAB, Associação dos Advogados do Noroeste do Paraná (Advog), Conselho Comunitário de Segurança (Conseg), Procon, Maçonaria e Sociedade Civil Organizada de Paranavaí (Socipar), entre outras.

Lideranças como Célia Zanatta, Edilson Avelar, da Socipar e Advog e Cláudio Miguel de Souza, do Conseg, citam que a Polícia Científica é fundamental para a cidade e que trabalharão para melhora-la cada vez mais.

O trabalho pela vinda da Polícia Científica começou em 1998, através do então presidente da OAB-Paranavaí, Hermeto Botelho; ganhou impulso em 2002 na gestão de Avelar, em 2010 foi instalado o IML, culminando agora com a instalação do Instituto de Criminalística. “Está no DNA da sociedade local não abandonar as entidades pelas quais ela lutou para se instalar em Paranavaí”, diz Avelar. “Vamos continuar apoiando a Polícia Científica”, reforça Zanatta.

MAIS PERITOS – Evandro Lustre considera o 19 de abril último como a data em que o Instituto de Criminalística começou a operar na cidade. A unidade está funcionando 24 horas por dia com um perito de plantão. Além dele, chegaram a cidade cinco outros peritos: um engenheiro ambiental, um engenheiro elétrico, um engenheiro mecânico, um engenheiro civil e um perito em local de crime. Além de suas especializações, todos têm conhecimento generalizado de perícia e faz o primeiro atendimento em seus plantões. Posteriormente, se o caso for da própria área, o plantonista dá sequência ao trabalho ou repassa ao especialista.

Também o IML de Paranavaí, que duramente muitos anos se limitou a um médico legista, ganhou uma boa estrutura de recursos humanos. Atualmente são cinco peritos médico-legistas, três auxiliares de necropsia e seis auxiliares de perícia.

Segundo Lustre, está previsto para breve, no âmbito da Polícia Científica, o lançamento de um edital de remoção, o que abre a possibilidade de a seção de computação forense de Paranavaí ganhar mais profissionais.

Outra novidade anunciada por Evandro Lustre é que o prefeito Carlos Henrique Rossato Gomes (Delegado KIQ) está viabilizando a doação de um terreno anexo ao atual, com 600 m², para a Polícia Científica do Paraná para a construção da sede do Instituto de Criminalística, que hoje funciona junto com o IML. Já existe até um projeto padrão para as unidades do interior, que terá quase 500 m². As novas instalações, além de dar mais funcionalidade, permitir melhor atendimento à população e dar mais conforto aos profissionais, viabilizaria a vinda de outros equipamentos, como o microscópio balístico. “Se ganhássemos hoje o microscópio balístico não teríamos onde instalá-lo”, revela.

Desde o último dia 19, a Polícia Científica de Paranavaí já realizou 15 exames veiculares, produziu entre 10 e 12 laudos de computação forense e atendeu 15 casos de perícia de local de morte, sendo que 90% destes casos de morte não seria periciado se não houvesse a estrutura local.

Fonte: Jorge Roberto Pereira da Silva

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