Treinador de Paranavaí, Mario Yukio Ohe é destaque dos Jap’s 2016

Voleibol

28/11/2015
Técnicos ensinam segredos da vitória e mostram habilidades na beira e dentro da quadra

Alguns treinadores do vôlei que estão participando da fase final dos 58º Jogos Abertos do Paraná (JAPs), divisão A, possuem habilidades que muitas vezes passam despercebidas em quadra, mas que fazem toda a diferença na hora que “o bicho pega”. Tais habilidades podem fazer a diferença entre vencer ou perder um jogo.

Técnico Dema de Maringá já foi 29 vezes campeão dos Jogos Abertos e pode sair em 2015 com mais dois títulos. (foto: Diego Pereira)

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Por exemplo, a experiência do treinador Dema, de Maringá, é reconhecida pelos seus atletas e por qualquer um que viva o voleibol paranaense. Dema é nada mais, nada menos, 29 vezes campeão dos Jogos Abertos do Paraná e 22 dos Jogos da Juventude. Atletas em começo de carreira (ou até mesmo os mais rodados), reconhecem no treinador um pilar, um porto seguro quando passam por um momento de dificuldade durante o jogo. Isso é o que diz a ponteira Amanda, de Maringá. “Se hoje eu estou jogando bem, é culpa daquele cara lá (aponta para Dema), que é um grande treinador e que tem um grande coração”, descreve a atleta.

Dema não é um cara, por assim dizer, calmo na beira da quadra. É sim, muito exigente e contundente em suas cobranças. Bravo, carrancudo sim, mas sabe como ninguém ler o jogo e definir rapidamente a estratégia perfeita para cada situação. Essa experiência vem sendo adquirida durante os quase 40 anos que vai completar, no ano que vem, de dedicação absoluta ao voleibol.

Experiência tem nome e sobrenome: Valdemar Umbelino da Silva, o Dema, vibra (do seu jeito) mais um ponto da equipe (foto: Diego Pereira)

Conversando com a reportagem após mais um jogo, Dema deu valiosas dicas para os treinadores que estão iniciando a carreira. “A primeira é gostar muito da profissão. É comum que treinadores em início de carreira fiquem desiludidos pelas dificuldades que encontram pelo caminho, como a falta de estrutura e de patrocínios. Se o técnico gostar do que faz, pode compensar as dificuldades com ainda mais trabalho. Os frutos só são colhidos se plantados com dedicação. O profissional também não pode ter preguiça, ele tem que ser comprometido com o trabalho e treinar quantas vezes forem necessárias por semana. Respeito de todas as partes também é fundamental para que tudo isso aconteça de forma mais equilibrada”, ensina o campeoníssimo Dema. Nesta tarde, Dema vai comandar as equipes masculina e feminina da Cidade Canção na semifinal do vôlei.

Outro treinador que possui uma habilidade que lhe ajuda bastante no desenvolvimento da profissão é Reinando Bento, da equipe feminina de Toledo, classificada para a semifinal. Além de ser treinador em início de carreira (este é o terceiro ano que está à frente do time), ele também divide seu tempo como atleta. Reinaldo é o líbero da equipe masculina de Toledo que estava participando dos Jogos Abertos.

Reinaldo Bento observa atento, à beira da quadra, a equipe feminina de Toledo em busca de mais uma vitória (foto: Diego Pereira)

Segundo ele, desde muito jovem o vôlei faz parte de sua vida. Reinaldo tem a habilidade de ser técnico e atleta ao mesmo tempo, por isso leva os ensinamentos da beira da quadra para dentro dela, e vice-versa. “A melhor parte do vôlei, não importa se jogando ou comandando a equipe, é a emoção, a vibração de fazer parte daquele ponto. O time é todo mundo unido, um depende do outro para que tudo dê certo. Não adianta o atleta fazer sua parte se eu não fizer a minha. O jogo é um conjunto, por isso tem que suprir as faltas. Eu, como atleta, procuro sempre fazer isso em quadra, porque tem dias que seu melhor atacante não vira bolas, ou o levantador não consegue distribuir direito as jogadas. É aí que entra a conversa, a paciência, e é isso tudo que traz mais confiança para todos”, explica Reinaldo.

Reinaldo é o líbero de camiseta branca, número 8. Vibração e alegria em quadra são suas marcas registradas. (foto: Diego Pereira)

Enquanto treinador, mesmo com pouca bagagem Reinaldo tem a confiança e o respeito de suas atletas e dos companheiros de time. “O respeito é conquistado através da postura e do tempo que eu defendo as cores da cidade. Esse respeito, essa confiança que eles têm em mim é em relação a isso. Sabem que ali eles têm um cara que vai estar sempre incentivando para extrair o melhor deles na quadra e até mesmo fora dela”, explica o treinador, que na beira da quadra ou dentro dela transmite muita vibração à equipe.

Por outro lado, com um jeito menos vibrante e muito mais discreto, o treinador de Paranavaí, Mario Yukio Ohe é a tranquilidade em pessoa. Os traços genéticos orientais não passam despercebidos e permitem, instantaneamente, fazer uma analogia quanto à forma de agir e se posicionar em determinada situação.

Mario Ohe concede entrevista enquanto observa partida entre as meninas de Francisco Beltrão e Guarapuava. (foto: Rodrigo Félix Leal)

Sempre com calma e austeridade, princípios básicos da milenar sapiência oriental, durante toda a participação de Paranavaí nos Jogos Abertos, este escriba não ouviu sequer um grito ou uma atitude mais rude dele com seus atletas. Mesmo nas situações mais adversas, em que seria até natural este tipo de cobrança por parte da comissão técnica, o treinador manteve-se austero e sereno. Em seus 35 anos de vida dedicados ao vôlei aprendeu que esta é, para ele, a melhor forma de agir.

“Meus pais eram muito calmos, mas muito exigentes como todo japonês. Eram duros, mas eu aprendi muito com eles. Até hoje carrego comigo estes ensinamentos e procuro aplicar nas minhas equipes, para meus atletas. Como sabemos, a sabedoria oriental não prevê apenas criar campeões, mas sim verdadeiros cidadãos, pessoas de bem. Não adianta nada o cara jogar muito bem e não ser um bom amigo, não ouvir o colega, não respeitar quem quer que seja”, ensina.

Nesta sexta-feira (27) a equipe do volei feminino de Francisco Beltrão recebeu o time de Guarapuava no ginásio Arrudão. 27/11/2015. Foto: Rodrigo Félix Leal

treinador de Paranavaí, Mario Yukio Ohe

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No tempo técnico de Paranavaí, a “chacoalhada” vem no estilo Samurai. (foto: Rodrigo Félix Leal)

Mas ele não é sempre tão bonzinho, não. Invariavelmente, uma “chacoalhada” é necessária para colocar a casa em ordem. “Viemos para Francisco Beltrão com apenas seis atletas compondo o time. Eles fizeram boas partidas, estou muito feliz por ver o espírito de luta de todos eles. Estes caras são verdadeiros guerreiros, samurais. Não tenho como exigir muito deles, mas com certeza quando erram muito tiram a gente do sério e aí é preciso dar uma chacoalhada, para mexer com o brio deles. No vôlei masculino isso traz resultados muito positivos”, afirma o treinador, que tem no coreano Young Wan Sohn, ex-treinador da Seleção Brasileira de Vôlei seu espelho enquanto técnico.

Fonte:http://www.jogosabertos.pr.gov.br

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