Foto: Assessoria Iapar

Sistemas integrados de lavoura e pecuária trazem benefícios para ambas atividades

As vantagens dos sistemas integrados de produção agropecuária, como Integração Lavoura-Pecuária (ILP) e Integração Lavoura-Pecuária-Floresta (ILPF) são bem conhecidas, além de aproveitar melhor a área com a diversificação de atividades, existem ganhos comprovados de produtividade em lavouras de grãos e bem-estar animal. 
O que impede, porém, que mais produtores adotem esse sistema é uma crença – diga-se de passagem infundada – de que o pastejo dos animais em áreas de lavoura pode causar problemas de compactação de solo.
“Essa compactação ocasionada pelo pisoteio animal é um mito” revela o pesquisador do Instituto Agronômico do Paraná (Iapar), e PhD em solos, Cezar Francisco Araujo. 
Segundo ele, se a compactação ocorre deve estar havendo o manejo inadequado dos animais ou das pastagens utilizadas. “O pastejo moderado pode inclusive melhorar as qualidades físicas, químicas e biológicas do solo”, diz. 
Segundo o pesquisador, o grande responsável pela compactação do solo é o tráfego de máquinas agrícolas, principalmente as de grande porte e em condições de umidade inadequadas. “Como a área do casco dos animais é pequena em relação ao rodado do trator, a pressão aplicada fica restrita a uma camada de zero a cinco centímetros. 
Já a tensão aplicada pelas máquinas é distribuída em profundidade, o que vai depender do tipo de rodado, da largura do pneu, da carga, da pressão de inflação do pneu, mas principalmente do manejo e da umidade do solo”, explica. 
Desse modo, a escolha da hora de entrar com o maquinário na lavoura também é estratégica para evitar deformações graves no terreno.  Além de não causar problemas à estrutura física do solo, o pastejo de animais traz benefícios para a cultura subsequente. 
Um estudo conduzido pelo Iapar em um sistema integrado em Santa Tereza do Oeste, concluiu que a soja cultivada na área de pastejo teve incremento na produtividade de 7% a 11% em relação às áreas onde não houve pastejo de bovinos.
Esse experimento foi conduzido durante quatro anos (2013/14 a 2016/17), avaliando o rendimento de soja em áreas com e sem pastejo nas forrageiras de inverno. As semeaduras da oleaginosa foram realizadas em sistema de plantio direto sobre a palhada deixada pelas forrageiras após os períodos de pastejo. 
A conclusão é que no sistema integrado “há benefícios mútuos entre a produção animal e de grãos, permite ganhos de peso vivo animal suficientes para a produção de novilhos precoce e superprecoce”.
Outra vantagem, segundo Araujo, é que a massa seca deixada pelas forrageiras de inverno proporciona uma boa  cobertura para a semeadura da soja de verão. “Além disso têm os dejetos de animais que são depositadas na área e que potencializam a produtividade da cultura subsequente”, afirma. 
O acumulo da matéria orgânica pode ser o responsável pelo aumento gradativo da produtividade da soja verificado no experimento.
Outro personagem que entra em cena quando existe a integração lavoura-pecuária é o besouro coprófago Onthophagus gazela, conhecido popularmente como rola-bosta, presente nas placas de fezes dos animais. Além de ser um inimigo natural da mosca-dos-chifres, que ataca o gado, ele promove a descompactação do solo através da abertura de galerias subterrâneas.
PECUÁRIA MODERNA – As vantagens do sistema integrado de produção são percebidas também por quem está na lida diária das propriedades. “O que temos visto é que, com a integração, fica uma cobertura vegetal bem espessa, então não acredito que deve compactar o solo. Até hoje o proprietário não precisou fazer trabalho de escarificação ou subsolagem”, afirma o zootecnista Daniel Vitor Ferreira Vicari.
Ele é um dos alunos do programa Pecuária Moderna do comitê regional de Santo Antônio da Platina (Norte Pioneiro). Ele concluiu seu treinamento com a elaboração e um projeto na propriedade em que atua no município, que utiliza o sistema de Integração Lavoura-Pecuária (ILP). 
Segundo Vicari, há seis anos a propriedade em questão desenvolve a integração de lavoura de soja com pastagens de inverno, como aveia preta, destinada à alimentação dos animais. 
A fazenda trabalha com o sistema de ciclo completo (cria, recria e engorda) e possui 1850 cabeças de nelore puro de origem (PO). “Não é todo gado que vem para integração, são mais os animais que foram desmamados e um lote de vaca, cerca de 600 animais”, afirma Vicari. 
A integração de sistemas produtivos, como o ILP e ILPF, é uma das bandeiras do Pecuária Moderna. O programa, lançado em 2015 pelo Sistema FAEP/SENAR-PR em parceria com o governo do Estado e diversas entidades, que tem como objetivo desenvolver a pecuária de corte no Estado através de ações de capacitação e difusão de informações, como os treinamentos do qual Vicari participou.
Na propriedade assistida por ele, os mesmos 250 hectares destinados para a soja no verão são divididos em piquetes para pastejo dos animais no inverno. Essa é outra prerrogativa para um sistema integrado bem-sucedido. O bom pastejo deve ser buscado, ou reduzindo o tempo de permanência dos animais nas áreas de pasto, ou reduzindo o número de animais por área. Nesse caso a média é de dois animais por hectare por um período de 90 dias. (Boletim Informativo do Sistema Faep)

Cuidados com a compactação de solo
Quando for substituir o pneu da sua máquina agrícola, procure pneus radiais ou de baixa pressão e alta flutuação. Pneus radiais tem área de contato 25% maior do que pneus diagonais, com isso a pressão aplicada no solo pelas máquinas é reduzida.
Fonte: Cezar Francisco Araujo – Iapar

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