Saúde alerta sobre prevenção de acidentes com animais peçonhentos. Foto: Divulgação SESA

Saiba como agir em casos de acidentes com animais peçonhentos

Após casos recentes de crianças mortas por escorpiões no Paraná, a Secretaria de Estado da Saúde orienta a população sobre cuidados para evitar acidentes com animais peçonhentos, como a aranha e serpentes.

“A agilidade em administrar o soro antiveneno em acidentes com peçonhentos pode fazer a diferença entre a vida e a morte. A orientação fornecida por telefone pode auxiliar na identificação da gravidade do caso e indicar o melhor encaminhamento”, explica a chefe da Divisão de Vigilância em Zoonoses e Intoxicações, Tânia Portella Costa.

Uma das orientações para evitar acidentes com animais peçonhentos é não acumular entulhos e lixo, o que facilita o esconderijo e a proliferação desses animais. A superintendente de Vigilância em Saúde, Júlia Cordelini, chama a atenção para o risco a que estão sujeitos principalmente crianças e idosos.

“As crianças são mais sensíveis à toxidade do veneno pela baixa massa corpórea e os idosos por sua fragilidade física. No entanto, o risco aos acidentes é comum para todos, o que demanda cuidados e prevenção”, ressaltou.

Onde buscar ajuda

Em Curitiba, o Centro de Controle de Envenenamentos do Paraná (CCE) para orientar a população e profissionais de saúde. O serviço tem atendimento 24 horas pelo telefone 0800 410 148.

Os centros de informações e assistência em toxicologia, como o CCE, prestam atendimento em envenenamentos e fornecem consultoria em urgências toxicológicas, animais peçonhentos e venenosos através de plantão telefônico 24 horas. Esse suporte auxilia os profissionais de saúde no diagnóstico e tratamento além de fornecer informações gerais e de prevenção para a população.

Os antivenenos estão disponíveis na rede de saúde através das 22 regionais da Secretaria de Estado da Saúde. Ao todo, existem 212 centros de referência para aplicação dos soros.

Dicas para evitar acidentes

  • Usar calçados e luvas nas atividades rurais e de jardinagem;
  • Examinar calçados e roupas pessoais, de cama e banho, antes de usá-las;
  • Afastar camas e berços das paredes;
  • Não deixar que lençóis ou cobertores sobre a cama e berço encostem no chão. Aranhas e escorpiões podem utilizá-los como apoio para subir e se abrigar entre tecidos e travesseiros;
  • Não acumular lixo orgânico, entulhos e materiais de construção;
  • Vedar frestas e buracos em paredes, assoalhos, forros e rodapés;
  • Utilizar telas, vedantes ou sacos de areia em portas, janelas e ralos;
  • Manter limpos os locais próximos das residências, jardins, quintais, paióis e celeiros;
  • Em caso de dúvidas, ligue para o telefone 0800 410148 (Centro de Controle de Envenenamentos do Paraná).

Casos no Paraná

Na última sexta-feira (15), uma menina de cinco anos morreu depois de ser picada por um escorpião amarelo, em Cianorte, no noroeste do Paraná. A mãe também foi ferroada na mão, ao tentar salvar a menina. Mãe e filha foram atendida na Unidade de Pronto Atendimento (UPA) e  transferidas para o Hospital São Paulo. Mesmo depois de receber o soro, a criança não resistiu e morreu. A mãe passa bem.

No final de agosto, um menino de quatro anos morreu depois de ter sido picado por um escorpião amarelo enquanto dormia na casa da avó, no município de Jussara, também no noroeste do Paraná. A criança chegou a ser hospitalizada, mas não resistiu. Segundo a família, o menino acordou reclamando que sentia dores na cabeça e no pescoço. Ao revirar a cama, ela encontrou o escorpião.

 

Em 2016, o Paraná registrou mais de 14 mil acidentes com animais peçonhentos, sendo que as picadas de escorpiões somaram 1.738 casos. Neste ano, de janeiro a setembro, já foram computados 924 acidentes com escorpiões. No mesmo período de 2016, o Paraná registrou 990 casos.

Escorpiões

No Paraná, existem vários tipos de escorpiões nativos, como o marrom (Tityus bahiensis, Tityus costatus, Ananteris sp) e o pretinho, do gênero Bothriurus, espécies que não apresentam acidentes graves.

No entanto, a partir da década de 80 foi introduzido no estado o escorpião amarelo (Tityus serrulatus), espécie de maior periculosidade, sendo o principal causador dos óbitos, principalmente em crianças.

Segundo o biólogo da Secretaria da Saúde, Emanuel Marques da Silva, o escorpião amarelo é uma espécie que se reproduz com rapidez. “É uma espécie generalista com grande capacidade de adaptação a ambientes alterados, como os ambientes domiciliares e seu entorno. A presença de apenas um exemplar pode provocar a infestação, porque a fêmea se reproduz de forma assexuada (partenogênose), sem a necessidade do macho”, explicou.

A espécie prefere se proteger em ambientes quentes e úmidos, saindo para caçar e se alimentar. No ambiente domiciliar o escorpião amarelo se abriga sob madeiras velhas, lenha, telhas, tijolos, restos de construção, entulhos e principalmente frestas em calçadas, muros e paredes.

“O lixo domiciliar mal acondicionado, restos de alimentos e sujeira nos domicílios atraem insetos, como baratas e outros que são alimentos dos escorpiões. Dessa forma, estes animais têm abrigo, alimento e água no entorno das habitações”, detalha o biólogo.

Para evitar acidentes, é importante que as pessoas removam materiais desnecessários, mantenham o lixo domiciliar acondicionado de forma adequada e fechem as frestas para que os escorpiões não se instalem e se reproduzam nas casas.

Fonte: Paraná Portal Uol

 

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