Procuram-se patriotas

“(….) vão por entre o povo, educando-o e melhorando-o, procurando-lhe mais trabalho e organizando-lhe mais instrução, promovendo sem descanso os dois bens supremos – ciência e justiça. 
Põem a pátria acima do interesse, da ambição, da gloríola; e se têm por vezes um fanatismo estreito, a sua mesma paixão diviniza-os.”
Eça de Queirós, in ‘Notas Contemporâneas’

Nestes tempos áridos de virtudes o país, mais do que nunca, precisa de pessoas imbuídas de sentimento patriótico para atravessar este deserto de boas intenções. Pertenço a uma geração que cantava o hino nacional antes de entrar na sala de aula e levantava quando da chegada do professor.

Isto não significa que o amor à pátria e o respeito aos semelhantes seja regra entre aqueles que passaram pela mesma educação. Muitos dos que hoje envergonham a nação tiveram acesso a bons colégios e receberam lições éticas dos pais, mas que não foram suficientes para moldar sua personalidade e fazer deles bons cidadãos.

Não sou um estudioso do tema, mas com a minha experiência de vida ( mesmo conhecendo diversas pessoas que valorizam nosso torrão natal e são preocupados em dar sua contribuição, como cidadão e profissional ) sou cético no comportamento da maioria em relação ao bem comum, sendo usual o individualismo como prioridade.

Sei das dificuldades por que passa o povo, tendo sido um prefeito zeloso com a periferia e os desasistidos. Mesmo entre aqueles que pouco tem, observei a solidariedade com seus próximos, característica boa da maioria dos brasileiros. Entretanto o estado e seus dirigentes são considerados não confiáveis pela população.

De forma correta ( através da análise do comportamento de grupos de indivíduos mal intencionados, ocupando relevantes cargos públicos ) passam a considerar como “parte da política” a corrupção, canalhice, mordomias, esperteza, mentiras e outros adjetivos que simbolizam o comportamento atual de parte dos políticos.

Devemos buscar, entre aqueles que se dispõem a participar da vida pública, os verdadeiros patriotas, com as qualidades dos nossos heróis da independência, que buscaram servir à pátria dando o melhor de si para tanto, alguns sacrificando a própria vida na construção da Nação Brasileira.

Por: Rogério J. Lorenzetti
ex-prefeito de Paranavaí, período de 2009/16


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